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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

A cidade das crianças

Olá, 

Neste semestre estamos pesquisando a cidade de São Paulo com o grupo. Fomentando pelo interesse das crianças no processo eleitoral para Prefeito neste ano e em conversas em que muitas confusões (dada a tenra idade dos pequenos de 4 e 5 anos) entre presidente e prefeito, além de mundo, cidade e país apareceram, resolvemos conversar sobre a cidade.

A princípio, um projeto inédito que nunca havia sido feito com o grupo, tem que ser feito de acordo com o interesse e expectativas do grupo, porém, também deve ser feita uma busca de ideias, inspirações e material que fomente ideias. 

Nas rodas de conversa, levantamos primeiramente os espaços conhecidos do grupo, fazendo provocações sobre as coisas que seriam necessárias ou bacanas de termos numa cidade. No início, dado o debate eleitoral, apareceu muito a ideia de mobilidade, das ciclofaixas, das ruas, da velocidade dos carros, temas abordados pelos prefeitos em suas campanhas e discutidos em casa entre crianças e pais. 

Aos poucos fomos nos afastando deste debate para nos aproximarmos do que eles entendiam como cidade, a cidade sob o olhar deles. Falaram muito sobre as casas, prédios, shoppings a princípio e logo foram surgindo espaços mais públicos, como praças, parques, avenidas, lugares que eram mais públicos, além de estádios, hospitais, lojas, supermercados, padarias, o trabalho dos pais, a natação ou clube, as casas dos avós ou tios, enfim, espaços ocupados por eles em seu cotidiano, além da escola. 

Brincadeiras com desenhos, dobraduras, caixas, alguns vídeos, em especial do projeto "Cidade Educadora" e livros de turismo voltados ou não ao público infantil e recortes com paisagens conhecidas para colagem ou intervenção foram propostas, gerando maiores identificações e a ampliação do conhecimento sobre o que já viram nesta cidade. 

Passeios com outros objetivos, mas que pelo caminho fomos provocando as crianças a terem outro olhar da paisagem foram feitos fomentando o interesse e olhar atento e curioso, ampliando ainda mais esta noção do que seria esta cidade. 

Um próxima proposta será a de pedir aos pais uma foto da fachada de seus prédios para que possamos fazer uma ilustração do trajeto da casa até a a escola, mesmo que seja apenas um quarteirão, pois este será sem dúvida o espaço mais apropriado por eles em seu dia-a-dia, por ser um trajeto cotidiano e obrigatório. 

A expectativa de ver pequenos como estes se apropriarem do espaço de moradia de forma mais ampla do que apenas do espaço privado é enorme. E a preocupação com o espaço público, fomentado pelo olhar de admiração e encantamento é inspirador!

Conto mais ao longo do processo, instigante, de criar algo novo através do olhar criativo e espontâneo deles.

Um abraço!

Carol

sexta-feira, 11 de março de 2016

Por que dar limites a uma criança é amor



Olá, 

Hoje venho falar sobre um tema bastante  controverso dentro da educação de crianças e adolescentes na atualidade: a necessidade de dar "limites".

Quando digo limites, quero dizer: oferecer a ela parâmetros sobre coisas que ela pode e que ela não pode fazer. Não é difícil imaginar por quê isso é importante, já que sabemos que as crianças se colocam em risco muitas vezes caso não estejamos por perto, cuidando para que algo deste tipo não aconteça.

Porém, é também muito importante dar limites que não são apenas aqueles que põe em risco a integridade física da criança, mas que serão de suma importância para a integridade emocional e psicológica desta criança mais tarde.

Que tipos de situações são essas? Bem, não é possível fazermos uma lista com todas as situações que uma criança pode entrar que a faz precisar de limites, mas imagine que numa situação social, escolar, ou mesmo sozinha com você esta criança esteja causando um desgaste muito grande em outra pessoa fazendo birras intermináveis, exigindo atenção 100% do tempo ou então se recusando a cumprimentar alguém ou a perceber que há uma situação acontecendo e que ela apenas passe por cima disso tudo para destruir a brincadeira, desorganizar o ambiente e se fazer ser olhada apenas por suas atitudes destrutivas. 

Essas situações não colocam em perigo a integridade da criança e, muitas vezes, por preguiça de entrar numa situação de conflito, deixamos a criança "destruir" as coisas ou deixar de perceber o outro, por preguiça de entrar no embate com ela mais uma vez, já que este tipo de situação acontece com frequência. Esta é a pior atitude que pode ser tomada. Deixar pra lá e ceder ao desejo da criança que não está absolutamente feliz em produzir esta desorganização, mas está, ao contrário, testando a nossa capacidade em mostrar a ela o que pode ou não pode ser feito, o que permitimos ou não permitimos, e principalmente, se somos um porto seguro para ela, gerando um "campo de força" que a proteja de si mesmas. 

Não é raro que um professor ou um cuidador que seja severo em suas exigências, seja amado e respeitado por seus alunos, pois é justamente isso que as crianças esperam de um adulto: segurança. É claro que é possível ser brincalhão e carinhoso com uma criança e não perder a postura de quem põe o limite. A brincadeira não precisa ser caótica e gerida pelo desejo sem limites da criança para ser boa. Pelo contrário, precisamos oferecer horários, rotina estabelecida, momentos de responsabilidade, de ação, de relaxamento, de atenção, de foco e também, é claro, tempo livre. 

Neste sentido, pais e mães que sentem culpa por estarem afastados por conta do trabalho e que não participam da rotina diária completa, a não ser aos finais de semana, acabam por permitir tudo neste curto período, dando à criança uma noção deturpada de valores, por serem extremamente flexíveis e permissivos. 

Eu sei que não é nada fácil frustrar uma criança quando se encontra pouco com ela e que os pais querem mais é curtir os filhos. Infelizmente não existe uma parentalidade que seja livre de esforço e de situações limite, em que as crianças esperam de seus pais um posicionamento coerente com os valores que são passados verbalmente a eles. 

Desta forma, é preciso estar de acordo com as crenças e valores que se quer passar, mesmo muito cansados no final do dia e mesmo com preguiça de brigar, pois do contrário a criança se sentirá absolutamente desamparada e se segurança nenhuma, gerando uma ansiedade e um medo absurdo nela, ao invés de um momento de prazer e de cumplicidade. 

O limite que damos ao ser que está conhecendo através de nossos exemplos o mundo, é o maior amor que pode ser oferecido a alguém, pois é formativo, pois transforma a realidade dele, que está sendo criada através destes modelos, exemplos e limites. 

Não deixe que a culpa, a preguiça e a vontade de ser "bonzinho" com seu filho o deixe desamparado e sem contorno! Seja coerente com o que você cobra de seu filho, ou de seu aluno, do contrário, tenha certeza que ele não entenderá a mensagem verbal com mais força do que mensagem passada pela vivência e observação de seus atos.

Para receber mais conteúdo sobre a educação de crianças, se inscreva no blog pensandocriancas.blogspot.com.br para receber os textos do blog por e-mail, ou siga pelas redes sociais. 

Um abraço!
Carol
carolinatorrespsicologa.blogspot.com.br


sábado, 5 de março de 2016

Curso Online Sobre Educação Infantil

Olá, 


Compartilho hoje com vocês um curso para o qual fui convidada a escrever a parte teórica. 

Elaborei uma apostila para ele. O material de vídeo não é meu, mas acredito que ajude a compreender bem a realidade e as especificidades da Educação Infantil, assim como o meu material escrito.

A quem se interessar abaixo está a divulgação da plataforma Cursos 24 Horas. 

Um abraço!

Carol


Curso de Educação Infantil


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Curso de Educação InfantilDesenvolva o potencial das Crianças. Inclui alfabetização, jogos, entre outros.
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  • Você sabia que a Educação Infantil representa um mercado de trabalho em ampla expansão?
  • Que educar crianças pequenas é muito mais que brincar e cuidar? E que hámétodos e fundamentos nesta educação?
  • Você sabia que pesquisas mostram que esta primeira etapa da educação determina o quanto a criança vai ser bem-sucedida depois, ao longo da vida escolar?
  • Você sabia que há muitas atividades que integram brincadeira e aprendizagem para estimular adequadamente as crianças muito pequenas, que podem ser feitas tanto pelos pais em casa como por professores em salas de aula?
Se você deseja entrar neste mercado de trabalho promissor da educação Infantil, aperfeiçoar-se para desempenhar melhor suas tarefas, ou se você apenas quer entender melhor como estimular seus próprios filhos, o Curso de Educação Infantil lhe fornecerá a mistura perfeita entre teoria e prática, apresentando o fundamento pedagógico da educação infantil e sugerindo uma série de atividades práticas para as diferentes idades.

Conheça as principais dificuldades das crianças e como tratá-las, como a dislexiatroca de letras, entre outras.

Organizado em dois Módulos complementares, o Curso de Educação Infantil começa definindo o que é Educação Infantil, sua história e como ela se enquadra na legislação brasileira. E ensina:
  • A diferença dos conceitos de pedagogia, educação e didática;
  • As diferentes linhas pedagógicas, como Piaget, Montessori, Vigotsky, Waldorf;Os métodos de alfabetização;
  • Como as crianças aprendem linguagem, números, ciências;
  • A diferença entre cuidar, brincar e educar;
  • A organização da rotina na sala de aula;
  • A importância da Música para o desenvolvimento afetivo, cognitivo e social.
Além disso, o curso traz atividades, historinhas e fábulas e sugere brincadeiras e atividades como Caça ao Objeto, Corrida com Pés Amarrados, sempre explicando como realizar a atividade e apresentando seu conteúdo pedagógico.

O Curso é inteiramente on-line, com vídeo-aulas, apoio de tutor e apostila com atividades sugeridas para imprimir e copiar.
Autor(a): Carolina Torres
Psicóloga e Pedagoga, especialista em Teoria Psicanalítica e em Ética, Valores e Cidadania.


Compatível com dispositivos móveis.
Este curso online conta com:
Vídeo AulasVídeo AulasApostilasApostilasProfessorProfessorReceba o Certificado GrátisCertificado

Os principais tópicos do Curso de Educação Infantil são:
Unidade 1 – Educação Infantil no Brasil, a criança e seu desenvolvimento
  • Introdução
  • Assistencialismo
  • Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil e Legislação
  • O professor de educação infantil
  • A criança, a família e a escola
  • Características de 0 a 3 anos
  • Características de 4 a 5 anos
Unidade 2 – Áreas de trabalho e currículo em Educação Infantil
  • O currículo em Educação Infantil
  • Corpo e movimento
  • Música
  • Artes visuais
  • Linguagem oral e escrita
  • Natureza e sociedade
  • Matemática
Unidade 3 – Organização da Rotina e Pedagogia de projetos
  • Organização da Rotina
  • Pedagogia de Projetos
  • Linhas Pedagógicas
Unidade 4 – Práticas Pedagógicas
  • Dinâmicas para a Educação Infantil
  • Métodos de Alfabetização
  • Modalidades e exemplos de texto infantil
  • Educação em valores
  • Conclusão

quinta-feira, 3 de março de 2016

Um sonho mais que realizado: um estudo de caso de protagonismo e autonomia na Escola Alecrim de São Paulo

Olá, 

Escrevi esta monografia na conclusão da especialização "Ética, valores e cidadania na Escola". Nele falei sobre a experiência de um grupo de alunos de 10 anos de idade que buscava a ampliação de sua escola ao nível do Fundamental II e como conseguiram seu objetivo.

Para adquirir texto completo, escreva para: torres.carolina@gmail.com.

RESUMO
O presente trabalho pretende pesquisar as relações entre o protagonismo e a autonomia através de um estudo de caso na Escola Alecrim de Educação Infantil e Ensino Fundamental I e II, localizada no bairro de Pinheiros, na cidade de São Paulo. Trata-se da abertura de um novo segmento que não existia na escola e que acabou se tornando viável pela mobilização de um grupo de alunos que envolveram em sua “campanha” toda a comunidade escolar, buscando formas de superar o imperativo de que “o sonho do grupo não seria possível”, discurso que girava ao redor deles ao longo de todo o processo de mobilização pela ampliação da escola. Através do levantamento de bibliografia sobre protagonismo e autonomia analisei este acontecimento, compreendendo a sua importância no processo educacional. Também busquei compreender se o processo educativo desta escola em especial tem influência no processo e no desfecho desta ação. Além do levantamento bibliográfico, o material analisado foi a transcrição de um documentário produzido pelo próprio grupo de alunos sobre este processo e disponibilizado na internet pela escola e entrevistas com as alunas e coordenadoras da referida Instituição. A relevância deste trabalho é a de localizar a importância do protagonismo e de um ambiente educativo que considere a participação ativa dos alunos em seu processo educacional, não se limitando apenas aos conteúdos escolares, mas a atitudes e projetos que vão além da sala de aula. Os resultados evidenciaram que o trabalho da escola teve relevância significativa nas ações do grupo, proporcionando às crianças uma estrutura nas relações interpessoais através do diálogo que as influenciou na busca de solução para o problema encontrado, levando-as a uma persistência incomum para a idade.

Para receber outros textos sobre estes temas, deixe seu email nos comentários ou se inscreva no blog.

Um abraço,
Carol

Pedagogia de projetos baseada nos temas transversais na Educação Infantil

Olá, 

Escrevi esta monografia na conclusão do curso de Pedagogia. Nele escrevi sobre alguns projetos interdisciplinares aplicáveis à  educação infantil. 


INTRODUÇÃO

       Para embasar o presente trabalho a leitura inicial feita foi a dos três volumes do Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil e os Parâmetros Curriculares Nacionais para a Educação Básica, buscando conhecer os conhecimentos esperados para a faixa etária dos três aos quatro anos de idade.
O trabalho com Educação Infantil formal no Brasil tem uma história conturbada, já que por muitos anos o assistencialismo foi a principal função da escola nesta faixa etária. Instituições como as creches tinham como única função os cuidados maternais, como o próprio nome das turmas evidenciam até hoje, com grupos de crianças nas escolas que são identificados, por exemplo, como: “berçário”, “maternal um”, “maternal dois” e etc.
Pensando nesta história e nas mudanças que foram ocorrendo no pensamento contemporâneo sobre a educação infantil, esta pesquisa procura levantar dados nos Referenciais Curriculares Nacionais (PCNs) e no Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI) e na prática registrada por professores e outros profissionais de educação que mostrem a valorização de outras funções da escola para estas crianças.
O olhar e o cuidado com a saúde, higiene e alimentação das crianças é imprescindível, porém há muito a ser desenvolvido e aprendido por elas através de atividades, vivências e ampliação de repertório de mundo que estão presentes e que devem ser valorizados pelos profissionais desta área, muitas vezes subjugados pela população geral, sofrendo preconceitos por trabalharem com uma população de crianças de tão tenra idade, ainda que com muita seriedade e compromisso com a profissão.
 O viés deste trabalho é o de colocar a criança desde bem pequena como um sujeito de saber e o educador, como um profissional que deve e pode trabalhar globalmente com conceitos da pedagogia de projetos que estimulem e ampliem a capacidade cognitiva, física, social e emocional de seus alunos, na contramão de um pensamento anterior através dos temas transversais.
Em carta destinada aos professores que receberam o chamado “Referencial Curricular Nacional Para a Educação Infantil” (RCNEI) em 17 de novembro de 1998, o então presidente Fernando Henrique Cardoso, coloca que tal instrumental foi fruto de ampla discussão e reflexão e que serviria como um auxílio aos professores desta faixa etária para que refletissem sobre a educação de seus pequenos evitando a visão assistencialista e ampliando a formação efetiva destes bebês em cidadãos.
            No primeiro de três volumes, encontramos uma introdução que esclarece alguns papéis como o da criança, o do professor e os objetivos da educação infantil num olhar semelhante ao de F.H.C. em sua carta de apresentação do material. O segundo volume, explica a concepção de educação adotada pelo então Governo, explicitando a concepção de aprendizagem, seus objetivos, conteúdos e dando orientações gerais para o professor. O terceiro divide-se em orientações específicas sobre o ensino de movimentos físicos, de música, e artes visuais, de linguagem oral e escrita, de natureza e sociedade, e de matemática, concluindo assim uma abordagem ampla, porém ainda segmentada, de educação, provavelmente por conta de uma opção didática de organização do material.
            Resta ao pesquisador, analisar mais profundamente tal bibliografia e buscar novas fontes de leitura sobre a prática que surge após esta mudança sugerida pelo Governo, compreendendo assim os objetivos implícitos, a abordagem teórica e a possibilidade de aplicação de tais ideias, além de buscar, na realidade, exemplos de projetos que possam ilustrar essa possibilidade de trabalho com as crianças pequenas.   
Este estudo busca levantar quais são os conteúdos que as leis e diretrizes da educação básica no Brasil propõem para a educação infantil e levantar alguns exemplos de projetos nesta área verificando sua adequação aos objetivos propostos em lei.
            O tema em questão é a pedagogia de projetos, que trata de definir um tema a ser trabalhado em certo período de tempo, baseada nos temas transversais, ou seja, que abordem mais de uma área de conhecimento ao mesmo tempo, no contexto da educação infantil, especificamente na faixa etária de 03 a 04 anos de idade.
A origem do interesse que move o presente trabalho vem da prática em sala de aula com esta faixa etária, desde 2007, e de uma escassez na busca de sistematização dos conhecimentos possíveis a ser trabalhados com ela. O trabalho busca verificar tais parâmetros e fazer um levantamento de projetos existentes para avaliar sua adequação e relevância, além de configurar um possível registro para consulta de profissionais da área.
A relevância do tema se baseia nesta escassez de material disponível para embasar o trabalho na educação infantil e na importância do trabalho com temas que envolvam muitas áreas, pensando que nesta faixa etária toda a aprendizagem deve se dar de forma global, levando em conta o interesse das crianças e o desenvolvimento físico, intelectual, social e emocional pelo qual estão passando ao entrarem na lógica da sociedade e saindo do convívio estritamente familiar desde a entrada na escola.
A hipótese levantada é a de que projetos com esta faixa etária podem ir muito além da socialização, ampliando de forma consistente seu conhecimento de mundo e de repertório intelectual e social, além das habilidades motoras.
A pesquisa trará alguns exemplos da prática, buscando nos Parâmetros Curriculares Nacionais, embasamento que as justifique, viabilize e valide como formas adequadas de se trabalhar com esta faixa etária.
Os projetos aqui descritos serão avaliados em suas propostas. Falhas e sucessos serão analisados podendo servir de instrumento de trabalho e reflexão para professores desta área da educação. A relevância cientifica se dá neste sentido, como uma contribuição para o corpo de referência destinado à consulta de profissionais da área.
A entrada da criança na escola é de suma importância para o segmento de seu processo de aprendizagem, visto que é o modo em que ela virá a compreender, pela primeira vez, a sistematização de conhecimentos vindo do ambiente socializador por excelência, que é a educação formal advinda da escola regular. A relevância social se coloca aqui, como reflexão da importância deste primeiro contato da criança com a educação formal.

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A escola deve assumir o papel de autoridade na vida das crianças?

Olá, 

Neste artigo, pretendo pensar no papel da escola como lugar de autoridade em que os pais confiaram à educação de seus filhos esperando que suprisse a necessidade de tais limites que não conseguiram impor aos mesmos em casa, no conturbado seio familiar, já discutido anteriormente.
Segundo Maria Rita Kehl, o papel que a família deve desempenhar na constituição do sujeito se resume em interditar o incesto e promover a sexuação. A partir deste ponto, o papel da família na modernidade é formador, no sentido de preparar as crianças para as suas responsabilidades em relação ás normas de convívio social.
É na estrutura familiar que a criança vai se indagar sobre o desejo que a constituiu - o desejo do outro - e vai se deparar com o enigma de seu próprio desejo. É nesse percurso que ela vai se tornar um ser de linguagem, barrado em relação ao gozo do outro, percurso este, suficiente para constituir seres humanos orientados pela lei que interdita o incesto, que exige de cada sujeito a renúncia a uma parcela de seu gozo para pertencer à comunidade humana.
A dissolução do espaço público em vários países do ocidente e a passagem de uma ética da produção para uma ética do consumo, entre outros fatores, são os grandes responsáveis pela desmoralização da transmissão familiar dos valores, e não o contrário. A escola, então, passa a ganhar o lugar anteriormente ocupado pelo espaço público, a rua. A criança tem toda a sua experiência extra-familiar na escola.
As dificuldades que os pais têm tido em sustentar sua posição de autoridade responsável perante as crianças demonstra um peso de dívida destes adultos para com o antigo modelo de família patriarcal, a que me referi anteriormente. Esta dívida impede que os adultos legitimem suas funções no âmbito das estruturas familiares que eles foram capazes de construir. Sejam elas como forem, cabe aos adultos que assumiram o encargo das crianças o risco e a responsabilidade de educá-las. O peso da dívida faz com que estes adultos se sintam incapazes de impor as restrições necessárias a um processo educativo.
A esta dívida se contrapõe o descompromisso crescente da sociedade contemporânea em relação a todas as tradições, inclusive com a família patriarcal. A mesma cultura que nos incita a viver de maneira radicalmente diferente das escolhas de nossos pais, não é capaz de legitimar as novas configurações familiares que foram surgindo. Assim, homens e mulheres se vêem na contingência de impor limites e transmitir ideais aos seus filhos por sua conta e risco. Essa relatividade na interpretação das responsabilidades permite uma grande liberdade de invenção e angústia. A nostalgia da família tradicional perdida talvez venha como busca de uma referência que compense tamanho desamparo.
Deste lugar mal sustentado em que os adultos se encontram, é possível também que eles não compreendam no que consiste sua única e radical diferença em relação às crianças - a diferença dos lugares geracionais. Segundo Kehl, é porque ocupam as funções de pai e mãe que os pais estão socialmente autorizados a mandar nas crianças.
Encontramos na clínica pais e mães que afirmam não conseguir impor limites a seus filhos porque eles não deixam. São adultos desnorteados que desconhecem os fundamentos simbólicos de sua autoridade. A recusa dos pais a correr este risco coloca a criança no estado de abandono, sofrido pelas crianças mimadas de hoje já que o adulto responsável não banca sua diferença diante delas.
Ninguém quer errar e por isso ninguém se arrisca a contrariar os desejos de uma criança que representa a realização de uma perfeição impossível e imperativa.
Fora a interdição do incesto e a promoção da sexuação, sabemos que todos os outros "papéis" na formação da criança são substituíveis - por isso é que os chamamos de papéis. "O que é insubstituível é um olhar de adulto sobre a criança, a um só tempo amoroso e responsável, desejante de que esta criança exista e seja feliz na medida do possível - mas não a qualquer preço. Insubstituível é o desejo do adulto que confere um lugar a este pequeno ser, concomitante com a responsabilidade que impõe os limites deste lugar. Isto é que é necessário para que a família contemporânea, com todos os seus tentáculos, possa transmitir parâmetros éticos para as novas gerações.".
Vamos passar agora, do âmbito da família para a visão de um educador, sobre a autoridade na escola. Yves de La Taille diz que, num passado não muito distante, as três fontes de autoridade na escola eram: a autoridade que os pais conferiam aos professores, até mesmo para ministrarem castigos físicos, o fato de a escola ser vista como legítima representante de valores compartilhados por toda a sociedade e o fato de a escola ser o único lugar onde era possível ter acesso ao patrimônio cultural.
A crise na educação, para o autor, teria a ver com a democratização do espaço escolar que tirou dos professores a autoridade conferida pelos pais, que já não bancam a própria e, portanto, não conseguem atribuí-la a um substituto. Para Taille, a educação está melhor a partir destas práticas democráticas, pois é possível respeitar e levar em consideração a opinião dos alunos.
Ao mesmo tempo, precisamos pensar que estas práticas não vieram sozinhas, mas acompanhadas de uma série de outros fatores da cultura, que elencamos no capítulo anterior, entre eles o consumismo, a comunicação mais abrangente do mundo da informação e o individualismo. Fatores estes, que aproveitaram o espaço promovido pela democracia nas escolas para trazer novas condutas que invertem os papéis entre professor e aluno, ao invés de promover uma igualdade. O despotismo autoritário do aluno, insatisfeito com a escola que, como os pais, não lhe dá limites, mina a relação com o professor.
Hanna Arendt em seu livro "Entre o passado e o futuro", de 1968, coloca uma reflexão muito interessante sobre esta crise na educação e nos coloca outros elementos a considerar ao redor do tema. Também para ela, é a democracia que vai mudar o lugar de autoridade do professor em relação ao aluno, anteriormente incontestável.
Vamos elencar em contrapartida com as fontes de autoridade em que a educação se baseava anteriormente descritas por Taille, três fatores que, segundo Arendt, baseiam a educação atual e que têm a ver com esta crise: em primeiro lugar, ela cita a separação do mundo da criança do mundo do adulto, pensando a criança e o seu grupo como seres autônomos e o professor como um mero auxiliar para elas. Neste fator, a autoridade existente é a do grupo ao qual a criança pertence - a maioria vence.
Em segundo lugar, a autora fala da influência da psicologia moderna na educação, que propôs à pedagogia ser um domínio geral e que o professor não se especializasse mais no conteúdo. O terceiro fator é que o professor deveria aprender continuamente e não reproduzir um aprendizado já enrijecido ao aluno, fator que justifica a pouca ênfase dada agora ao conteúdo. A questão é, que a autoridade do professor se baseia na diferença básica entre ele e a criança que é, além da geracionalidade (na caso das crianças pequenas), também o conhecimento que ele tem para passar para o aluno. Tirando o conteúdo do professor, a sua diferença praticamente some, e o fundamento de sua autoridade, também.
Além disso, para Arendt, a essência da educação é o fato de que "os seres nascem para o mundo." O educador está representando este mundo e deve assumir responsabilidade por ele, embora possa ter críticas a respeito dele. Na educação, essa responsabilidade pelo mundo assume a forma de autoridade. E a crise se explica porque os adultos estão se recusando a assumir a responsabilidade pelo mundo ao qual trouxeram as crianças.
Arendt coloca finalmente a questão em um parágrafo muito ilustrativo da postura que se vê hoje nos pais e explica essa postura por sua teoria: "A perda geral de autoridade, de fato, não poderia encontrar expressão mais radical do que sua intrusão na esfera pré-política, em que a autoridade parecia ser ditada pela própria natureza e independer de todas as mudanças históricas e condições políticas. O homem moderno, por outro lado, não poderia encontrar nenhuma expressão mais clara para sua insatisfação com o mundo, para seu desgosto com o estado das coisas, que sua recusa a assumir, em relação às crianças, a responsabilidade por tudo isso. É como se os pais dissessem todos os dias: - Nesse mundo, mesmo nós não estamos muito a salvo em casa; como se movimentar nele, o que saber, quais habilidades dominar, tudo isso também são mistérios para nós. Vocês devem tentar entender isso do jeito que puderem; em todo caso, vocês não tem o direito de exigir satisfações. Somos inocentes, lavamos as nossas mãos por vocês.".
Aqui, ela diz dos pais e de sua necessidade de não mais assumir a tamanha responsabilidade de apresentar o mundo tal qual está às crianças recém-chegadas. Do mesmo modo, podemos pensar que os professores se colocam no mesmo lugar dos pais e tentam também não assumir a responsabilidade por apresentar este mundo. A informação está cada vez mais acessível às crianças e os professores podem ajudar nesta busca, mas não estão conseguindo guiá-los em outros aspectos que a família já não banca: a socialização primária, os interditos mais primitivos que constituem o sujeito enquanto ser humano, pois sentem (com razão) que este papel não lhes é possível exercer.

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Carol