terça-feira, 22 de outubro de 2024

Técnicas para acalmar as crianças


O livro O Cérebro da Criança, de Daniel J. Siegel e Tina Payne Bryson, apresenta várias técnicas práticas para pais e educadores ajudarem as crianças a desenvolverem um cérebro emocionalmente saudável. Aqui estão algumas das principais:

1. Integração horizontal: Ajudar a criança a conectar os dois hemisférios do cérebro (esquerdo e direito). O hemisfério esquerdo é lógico e racional, enquanto o direito é emocional e intuitivo. Siegel sugere que, durante um momento de crise emocional, os pais primeiro ajudem a criança a reconhecer e sentir suas emoções (hemisfério direito), antes de introduzir a lógica e o raciocínio (hemisfério esquerdo) para resolver o problema.

2. Nomear para acalmar: Quando uma criança está muito emotiva ou irritada, uma boa técnica é ajudá-la a colocar palavras no que está sentindo. Isso envolve reconhecer as emoções e falar sobre elas, o que ajuda a criança a processar o que está acontecendo.

3. Redirecionar com empatia: Ao invés de simplesmente punir ou corrigir, os pais são encorajados a reconhecer as emoções da criança e oferecer apoio emocional, redirecionando seu comportamento com empatia. Isso cria um ambiente seguro para a criança aprender e se adaptar.

4. Conectar e redirecionar: Em vez de reagir diretamente a um mau comportamento, o adulto deve primeiro conectar-se emocionalmente, validando os sentimentos da criança. Só então, depois dessa conexão, é mais fácil redirecionar o comportamento de forma mais produtiva.

5. Usar a mente do "andar de cima": A ideia é ajudar as crianças a usar o "andar de cima" do cérebro (córtex pré-frontal), responsável por habilidades como tomada de decisões, autocontrole e empatia. Situações desafiadoras devem ser vistas como oportunidades para desenvolver essas habilidades.

6. Acalmar o cérebro reativo: Quando a criança está dominada por emoções, como raiva ou medo, ela está agindo com o "cérebro de baixo" (instintos de sobrevivência, respostas automáticas). Técnicas como respiração profunda, abraços ou tempo para se acalmar ajudam a reequilibrar o cérebro.

Essas técnicas têm o objetivo de ajudar a criança a entender suas emoções e a integrar diferentes partes do cérebro para que possa desenvolver resiliência emocional, capacidade de resolver problemas e autocontrole.


segunda-feira, 21 de outubro de 2024

Mês do professor: viva o educador infantil!

O papel do professor na educação infantil é fundamental para o desenvolvimento integral das crianças. Nessa fase, que abrange os primeiros anos de vida, os educadores são responsáveis por muito mais do que a simples transmissão de conhecimentos acadêmicos. Eles desempenham um papel crucial no desenvolvimento emocional, social, cognitivo e físico das crianças, criando as bases para o aprendizado ao longo da vida.

Desenvolvimento Emocional e Social

O professor da educação infantil é, muitas vezes, a primeira figura de autoridade com quem a criança tem contato fora do ambiente familiar. Ele ajuda a criança a lidar com as emoções, a desenvolver a autoestima e a aprender a conviver em sociedade. As interações em sala de aula, mediadas pelo professor, ensinam lições importantes sobre respeito, empatia e convivência, aspectos essenciais para o desenvolvimento social.

Estímulo à Curiosidade e Criatividade

Os primeiros anos de vida são marcados pela curiosidade e pela vontade natural de explorar o mundo. O professor tem o papel de canalizar essa curiosidade de forma produtiva, oferecendo atividades que despertem o interesse da criança e a encorajem a pensar de maneira criativa. Jogos, brincadeiras e projetos lúdicos ajudam a expandir as habilidades cognitivas, proporcionando uma aprendizagem prazerosa e significativa.

Estabelecimento de Rotinas e Limites

Na educação infantil, os professores também ajudam a introduzir e consolidar a ideia de rotinas e limites. As crianças aprendem a seguir horários, respeitar regras e lidar com a frustração, preparando-se para a vida em grupo. Esse aprendizado sobre disciplina é essencial para o desenvolvimento da autonomia e da responsabilidade.

Mediação de Conhecimentos

Ainda que o foco principal na educação infantil seja o desenvolvimento integral, o professor começa a introduzir as crianças a conhecimentos básicos, como a linguagem, as noções de matemática e as ciências naturais. De maneira lúdica, esses conceitos são apresentados em atividades que promovem o pensamento crítico e a resolução de problemas, estabelecendo a base para aprendizagens futuras.

Promoção da Inclusão

O professor na educação infantil também é um agente importante na promoção da inclusão. Ele é responsável por criar um ambiente onde todas as crianças, independentemente de suas origens, condições sociais ou limitações físicas e cognitivas, possam se sentir acolhidas e respeitadas. Essa abordagem inclusiva é essencial para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e igualitária.

O professor da educação infantil exerce uma influência duradoura na vida das crianças, moldando suas primeiras experiências com o aprendizado e as relações sociais. Por meio do afeto, do conhecimento e do exemplo, ele promove o desenvolvimento integral da criança, preparando-a para os desafios futuros. O trabalho desse educador é, portanto, a base para a construção de indivíduos críticos, criativos e conscientes, capazes de contribuir para uma sociedade mais harmoniosa e solidária.

sexta-feira, 30 de junho de 2023

Chegou o curso TiNis para Educadores!

TiNis – Terra das Crianças é um projeto que propõe levar a Natureza para dentro das escolas. Para isso, elaboramos uma formação on-line e gratuita, com foco em educação infantil e ensino fundamental I. O ano de 2023 marca sua segunda edição, agora com o Instituto Singularidades na correalização e em parceria com a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e a plataforma Conviva Educação. Neste curso, você aprenderá: O que são TiNis, seus aspectos conceituais e práticos, bem como seu potencial educativo, A necessidade e importância do vínculo afetivo com a Natureza, O conceito da “criação recíproca” e a noção de interdependência, O protagonismo da criança na criação das TiNis e seu lugar de agente de transformação, O papel e contribuição do educador para fomentar uma relação saudável entre criança e Natureza, Como acompanhar e fomentar o engajamento dos estudantes com as TiNis e Técnicas básicas de plantio e de manejo. E aí? Vamos verdejar as escolas e os espaços educativos de todo o Brasil? Cadastre-se aqui: https://tinis.com.br/curso-on-line/

Constelação das artes – musicalidades indígenas no Brasil

Olá, A Escola Itaú Cutural oferece o curso de forma gratuita e online. O objetivo do curso Constelação das artes – musicalidades indígenas no Brasil é apresentar um panorama de noções e referências para familiarizar os estudantes com a presença das musicalidades dos povos originários na contemporaneidade. O programa parte de uma concepção de aprendizagem ancorada nas expressões musicais desses povos, que permaneceram largamente ignoradas durante a maior parte da história colonial e brasileira. Essa produção conheceu um interesse crescente somente ao longo do século XX, com a realização e a difusão dos primeiros registros sonoros, passando por recriações na música brasileira desde o advento do Modernismo. Com a articulação do movimento indígena a partir das décadas de 1970 e 1980, concomitantemente ao início de pesquisas etnomusicológicas tematizando suas musicalidades no Brasil, testemunhou-se um crescimento inédito da audiência dessas formas expressivas, assim como sua transformação por meio da apropriação de gêneros musicais não convencionais para os povos originários. Este curso pretende refletir sobre a particularidade dessas formas, assim como sobre sua conversão na atualidade. Se inscreva aqui: https://escola.itaucultural.org.br/autoformativos/musicalidades-indigenas-no-brasil

Brincadeiras cantadas na escola: Valorizando a tradição popular

Olá, Indico a colegas da Educação Infantil este curso gratuito da Plataforma Nova Escola de 10 horas de duração com certificado. A proposta desse curso é contribuir para a ampliação do repertório de canções e brincadeiras da tradição oral brasileira e sensibilizar os educadores a expandir os valores da nossa cultura por meio de práticas criativas e reflexivas. Além de apresentar as canções, as duas professoras-autoras deste curso compartilham experiências que tiveram ao levá-las para a sala de aula com seus alunos. O repertório escolhido possibilita desafios rítmicos, melódicos e de coordenação entre movimento, palavra e música para potencializar o desenvolvimento integral da criança nos diversos aspectos da sua formação: emocionais, físicos, cognitivos, sociais e motores. Se inscreva aqui: https://cursos.novaescola.org.br/curso/1512/brincadeiras-cantadas-na-escola-valorizando-a-tradicao-popular/resumo

quinta-feira, 29 de junho de 2023

Igualdade Racial nas Escola

Olá, Convido você a conhecer o curso Igualdade Racial nas Escolas, elaborado e disponibilizado pelo MEC, em plataforma gratuita e online. O objetivo deste curso é fomentar e consolidar práticas pedagógicas antirracistas capazes de formar cidadãos/ãs que compreendem e respeitam a si mesmos/as e aos outros. Esse objetivo somente será possível com seu apoio e experiência, prezado/a docente – você é o/a protagonista do fazer pedagógico. Lembra das aulas de história na sua época de escola? Nelas, aprendemos que o Brasil é formado por brancos, negros e índios; por isso o país é mestiço, interracial. Bela imagem! Bem, mas como os povos indígenas são apresentados nesse quadro? Como povos originários, que moravam em ocas, viviam da caça e da pesca, selvagens cuja catequese viria salvar. Como os negros são apresentados? Como escravos nas plantações de café; homens e mulheres objetificados. Percebe que esse “quadro” é pintado sob a ótica europeia? Uma imagem folclórica, caricatural, que popularizou o Brasil como o país do samba, do futebol, do carnaval, da alegria! Aprende-se também acerca da Abolição da Escravidão no Brasil, em 1888 – um ato quase heroico de uma princesa. Outra bela imagem! Mas, o que significou, realmente, para milhares de negros/as o gesto da nobreza que não veio acompanhado de políticas de inclusão social? No curso, aprofundamos o conhecimento sobre História do Brasil e Africa e agregamos conteúdo para combater o racismo nas escolas. Vamos juntos? Se inscreva aqui: https://avamec.mec.gov.br/#/instituicao/mmfdh/curso/15193/visualizar Um abraço e bom curso!

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Como formar um ser humano a partir dos valores que ele traz do mundo lá fora?

Olá, 




Faz bastante tempo que não escrevo nada por aqui. Sou professora de Educação Infantil e Psicóloga Clínica e venho hoje trazer algumas reflexões que tem me tirado um pouco a tranquilidade no trabalho com a educação dos meus alunos, pequenos de 4 a 5 anos de idade.

Algo muito estarrecedor que me aparece e que não tenho tido tempo de refletir para pensar de que forma agir em relação a isso, são as reproduções que eles fazem de valores machistas.

Como assim machistas? Bem, a divisão "natural" entre brincadeiras de menino e de menina que acontece "sem querer", por exemplo. A verbalização de que coisas são de menino ou menina, que cores são de menino ou menina, que personagens da ficção infantil são de menino ou menina.

Essa divisão pura e simples, que pode parecer ingênua já vem carregada de sentidos. Vem carregada de papéis pré-definidos e que, nas entrelinhas, colocam um gênero como forte e um como fraco. Um como bruto e um como delicado, um como competitivo e outro como cooperativo, excluindo um do outro.

As "brincadeiras" de desenhar ou montar armadilhas "contra" as meninas, falas de que as meninas são chatas ou vice-versa, trejeitos trazidos pelas meninas de personagens de desenhos, filmes, músicas, novelas, comerciais, que as fazem ser muito "afetadas" e "feminilizadas" de um forma exagerada e muito pouco natural, me incomodam muito.

Outro tipo de valores, não necessariamente ligado ao gênero, mas absolutamente ligado à dinâmica de poder (que na verdade é o que está por trás da questão do gênero) também são passados por estas mídias. 

Ontem mesmo, numa conversa entre crianças, uma delas dizia: "Sou eu quem manda na brincadeira! Tem pedir pra mim!". E eu curiosa, questionei o porquê de ter que existir alguém que "mande" na brincadeira e ela disse: "Na Patrulha Canina tem.", com naturalidade. E eu continuei questionando: "Mas precisa ter alguém que mande, mesmo?" e ela disse: "Ás vezes sim". Continuei: "Mas por quê?". A pequena não sabia me dizer.

Essa é a armadilha. Valores são assim. Os reproduzimos sem saber porquê. E mesmo sem saber o porquê, temos tanta certeza, quase absoluta, sobre aquela realidade vista e revista, afirmada e reafirmada no cotidiano da vida real, na lógica social, nos desenhos, roupas, brinquedos, nas relações com familiares, com estranhos na rua e em todo o lugar, que supomos que esta é a única forma correta de se relacionar com o outro.

Outro diálogo, de hoje, por exemplo, foi, no meio de uma brincadeira, quando uma menina disse: "Sabe, minhas filhas e eu somos pobres". E questionando o que significava isso, me disseram: "É ter pouco dinheiro e ter que limpar a casa.". Em seguida, me disseram que é "Ter nenhum dinheiro ou só umas moedinhas e não poder comprar nada.". 

A reflexão posterior sobre porque o rico é rico e porque o pobre é pobre variava de: "O rico é melhor, o pobre não é tão bom." a "É que tem que ir no banco pegar mais dinheiro.". A mesma criança que iniciou o argumento, disse: "Meu pai é rico e minha mãe é pobre.". Dois pais casados, que moram juntos. Um homem e uma mulher. Será que ela estava falando de dinheiro na carteira deles ou será que estava falando em poder de decisão dentro de um casal? 

Eu não sei o que faz a pequena pensar nisso, mas duvido que nisso não haja algo que lhe foi transmitido não apenas pela observação da relação dos pais, mas de toda a lógica do mundo adulto que ela observa e tenta decodificar com as ferramentas que direcionamos a ela: livros, colegas, brincadeiras, filmes, brinquedos, espaços de convivência entre as pessoas em que ela aprende coisas e que vão comprovando para ela uma teoria do funcionamento das coisas.

Que não está bom. 

E qual o meu papel como professora dela? E desse grupo inteiro? O que eu deveria fornecer a eles para questionar isso tudo, sem desmoronar o que ela tem de aprendizagem do mundo real, que é mesmo desigual, machista e brutal no sentido da justiça social, da igualdade de gêneros e da distribuição de renda?

Não sei por que caminho seguir. Mas estou sempre atenta e aflita sobre que exemplo posso estar passando, pessoalmente, na minha relação com o grupo, com os pais, com os colegas da escola, com o espaço, com os objetos, com os alimentos, com as ideias. Que duro e pesado é não saber.

Que medo de não saber se é possível ajudá-los a questionarem essa realidade que estão percebendo, pois está posta em todos os lugares de forma explícita demais e desumana demais na maior parte dos lugares.

Que eu tenha recursos humanos e teóricos para mudar, nem que seja um soprinho desse pensamento imposto de fora pra dentro a eles.

E se alguém aí fora tiver um texto, uma indicação de leitura, uma proposta de atividade, compartilha com a gente!

Um abraço e seguimos lutando!

Carol